O que aprendi no primeiro ano.


Vou começar deixando bem claro que amo minha filha, não me vejo mais sem ela e que ela é o único, verdadeiro e eterno amor da minha vida.

Ser mãe não é uma tarefa fácil, é desafiador, sentimos vontade de desistir todos os dias, correr três dias pra bem longe, vontade de gritar constantemente, estamos cansadas, muitas vezes frustradas por achar que estamos fazendo errado, sentimos culpa 24 horas por dia, sete vezes por semana.

Neste um ano e três meses pude perceber que me tornei mais forte, mais resistente as criticas, alias, depois que me tornei mãe, elas não me abalam mais. Percebi que não preciso de ninguém, alguém precisa de mim e é por alguém que preciso ser forte e lutar, nem gripe me derruba, afinal mãe não pode ficar doente.

Meu sono se tornou mais leve, qualquer choro ou resmungo, lá estou eu de prontidão ao lado do berço. Poderia passar horas a fio zelando teu sono. Minhas noite de sono, quando são boas, duram em torno de quatro horas seguidas. Isso já é uma evolução para quem dormia apenas duas ou três horas.

Me aperfeiçoei na arte da culinária, só pra te ver saudável, mesmo com tantos questionamentos a respeito do que faço ou deixo de fazer pra te ver bem nutrida e cheia de saúde e graças a isso, neste um ano ano você só teve um leve resfriado e que nem precisou de medicamentos.

Sou muito mais exigente sobre limpeza, quero deixar o espaço mais limpo o possível pra ver você fazendo sua bagunça, falando em brincar, já brincamos de boneca, você me vê cozinhando e já quer panelas, colheres e boneca para copiar o que faço.

Falando em copiar, você já pega minhas maquiagens, meus 40 pinceis e tenta se maquiar, corre pra me maquiar, já sei que é vaidosa, cuidadosa, tem jeito de garota delicada, toda princesa.

Sua inteligencia faz meu coração parar a cada coisa que aprende, quase infartei ao ver você subir no sofá, quase morri ao ver você descer, pegou o lápis e lá estava você com um pedaço de papel, pintando e sem que ninguém te ensinasse nada. Você é assim, independente, geniosa, determinada, cheia de objetivo, perseverante no quer e consegue o que quer, graças a Deus, você herdou isso de mim, me vejo em você, sou grata a Deus por me dar uma cópia fiel. Vou te ensinar, o que aprendi sozinha: Nunca abaixar a cabeça para nada e nem ninguém.

Você sempre me surpreendeu, nos primeiros tombos, não quis ajuda, sempre levantou sozinha, aos 10 meses e meio, andou sozinha e sem ajuda, aos 15 meses quer comer sozinha, mesmo que seja com suas pequenas e delicadas mãozinhas, já sabe tirar a roupa sozinha, já não quer mais usar fraldas.

A receita pra tudo isso? Não sei, só sei que ela nasceu independente, cheia de vontades, cheia de vida, forte e determinada.

Mesmo que eu relutasse em ser mãe, você quis vir ao mundo e me mostrar que eu tenho jeito pra coisa, era só questão de tempo, me mostrou que não preciso de ninguém por perto pra ser feliz, que só me basta você pra amar e ser feliz, é assim que tem que ser. Filhos são da mãe, eternamente das mães.

Ser mãe é ter vontade de jogar a criança pela janela, devolver na maternidade, se trancar no banheiro e chorar, ter um grito preso na garganta, viver desarrumada e cheirando azedo, ter roupas de marca manchando por molho, papinha, fruta, doce, é perder a vida social, perder a beleza, perder o juízo, a sanidade mental, ter o cérebro expandido em 40 vezes, esquecer coisas no fogo, fora da geladeira, carregar culpa, carregar um nó no peito e outro no coração, esquecer o sono, é viver em função de alguém, sem esperar nada em troca, ou melhor, esperar ingratidão quando for adolescente e muitas vezes quando for adulto, é não ter reconhecimento pelo que se faz e fez, pelo simples fato de ser mãe. É ter que menstruar 40 dias, sofrer dor do parto, da amamentação, dos pequenos dentes cravados nos seios. É sofrer quando se repreende o filho(a) mesmo sabendo que é por amor. Este é o lado B.

Já o lado A: ter um amor incondicional pra todo sempre, ter o coração batendo fora do peito, é sorrir nas pequenas coisas, ser feliz nas pequenas coisas, é dar valor naquilo que antes não tinha valor, é entender quando as mães mandavam ficar em casa, é bom ficar em casa, é ver quem são os verdadeiros amigos, é ver quem realmente presta, é dar valor ao Natal, Ano Novo, Páscoa, Aniversários, Dia dos Pais, das Mães, curtir mais o cheiro de roupa limpa, curtir momentos, sentar no sofá e ver álbuns de família, aqueles bem antigos, quase que caindo aos pedaços, mas com tantas histórias, é entender o significado de família, mesmo sendo formado só por mamãe e bebê, é se divertir na cozinha, se lambuzar de brigadeiro, danoninho, fruta e comida, rolar no chão, voltar a ser criança, correr livremente, correr atrás de uma bola, de um bebê. É receber um abraço apertado, um beijo babado e saber que é puro, de coração e sem a menor ironia, falsidade.

Mães são formadas por este mix de emoções, é ser bipolar.

Sobre sair de casa.


Ando acelerada nestes últimos dias, sem tempo para quase nada e quando me sobra um tempo, corro para tirar uma soneca ou simplesmente me jogar no sofá, fazer cruzadinhas e pensar na vida. Já faz um tempo que eu estava pra escrever este texto e inaugurar a categoria, mas o mesmo me falta. Acho que o Terrible two se adiantou por aqui e me fez focar todo o esforço e energia na pequena.

Pois bem, faz quase dois meses que sai de casa, confesso que ainda me parece férias, sinto saudades de casa, da comida da mamãe e de quando ela me acordava com aquele leite quente, ás 07:00 para tomar meu remédio. Sinto saudade das brigas, da hora de ir tomar chimarrão na vizinha e esquecer da hora. Claro que com a pequena distancia, meu relacionamento turbulento com a minha mãe melhorou e percebo que sem ela não sou completa, por alguns dias, andei conflitante a respeito de muitas coisas e percebi que sinto falta dela, um marido não me faria falta, minha mãe sim. Sei que nos magoamos muito e agora sei que tudo o que ela tentou foi só para o meu melhor. Para que eu pudesse crescer e perceber que tenho uma filha, que precisava e preciso de um ninho para criar a minha bebê e que a vida é assim, os filhos crescem e temos que ensina-los a voar, mesmo que estrepem no chão.

Muito me falavam: você só dará valor á sua mãe quando sair de casa. Realmente, não valorizava muito o esforço que ela fazia, muitas vezes nem reconhecia, achava que era zelo demais, mas, hoje, fora de casa, cuidando de uma filha e de uma casa, percebo que não era demais, era no ponto. Era e é tudo para me proteger do “bicho papão”. Mesmo sem condições ela retira do pouco que tem e vem me trazer coisas gostosas para comer e eu sem hesitar, pego o pouco que tenho e levo pra ela, antes não agradecia, hoje agradeço.

Fiquei com medo e disse em uma conversa com ela: Mãe, se tudo der errado, posso voltar pra casa? Ela respondeu: Claro que sim.
É bom ter essa certeza de que posso voltar pra casa quando puder, mas se eu voltar, serei totalmente diferente com ela, serei menos rude e mais amável.

A lição que fica é: Valorize seus pais, mesmo que eles sejam “ruins”, afinal só querem o bem de suas crias, matam se for preciso para defender o bem mais precioso que existe: os filhos. Só entendemos realmente quando saímos de casa e damos a luz.