Sobre sair de casa.


Ando acelerada nestes últimos dias, sem tempo para quase nada e quando me sobra um tempo, corro para tirar uma soneca ou simplesmente me jogar no sofá, fazer cruzadinhas e pensar na vida. Já faz um tempo que eu estava pra escrever este texto e inaugurar a categoria, mas o mesmo me falta. Acho que o Terrible two se adiantou por aqui e me fez focar todo o esforço e energia na pequena.

Pois bem, faz quase dois meses que sai de casa, confesso que ainda me parece férias, sinto saudades de casa, da comida da mamãe e de quando ela me acordava com aquele leite quente, ás 07:00 para tomar meu remédio. Sinto saudade das brigas, da hora de ir tomar chimarrão na vizinha e esquecer da hora. Claro que com a pequena distancia, meu relacionamento turbulento com a minha mãe melhorou e percebo que sem ela não sou completa, por alguns dias, andei conflitante a respeito de muitas coisas e percebi que sinto falta dela, um marido não me faria falta, minha mãe sim. Sei que nos magoamos muito e agora sei que tudo o que ela tentou foi só para o meu melhor. Para que eu pudesse crescer e perceber que tenho uma filha, que precisava e preciso de um ninho para criar a minha bebê e que a vida é assim, os filhos crescem e temos que ensina-los a voar, mesmo que estrepem no chão.

Muito me falavam: você só dará valor á sua mãe quando sair de casa. Realmente, não valorizava muito o esforço que ela fazia, muitas vezes nem reconhecia, achava que era zelo demais, mas, hoje, fora de casa, cuidando de uma filha e de uma casa, percebo que não era demais, era no ponto. Era e é tudo para me proteger do “bicho papão”. Mesmo sem condições ela retira do pouco que tem e vem me trazer coisas gostosas para comer e eu sem hesitar, pego o pouco que tenho e levo pra ela, antes não agradecia, hoje agradeço.

Fiquei com medo e disse em uma conversa com ela: Mãe, se tudo der errado, posso voltar pra casa? Ela respondeu: Claro que sim.
É bom ter essa certeza de que posso voltar pra casa quando puder, mas se eu voltar, serei totalmente diferente com ela, serei menos rude e mais amável.

A lição que fica é: Valorize seus pais, mesmo que eles sejam “ruins”, afinal só querem o bem de suas crias, matam se for preciso para defender o bem mais precioso que existe: os filhos. Só entendemos realmente quando saímos de casa e damos a luz.