O vínculo mãe-bebê

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Olá mamães, meu nome é Nathalia, sou psicóloga e mãe de uma menina de uma e nove meses. Estou escrevendo este texto para atender a um pedido da Lilly, já há algum tempo, para que mamães com alguma especialização ajudassem no Blog. Neste primeiro texto, resolvi falar sobre o vínculo da criança com os pais, pois pesquisando em muitas fontes descobri que não é um tema muito explorado.

O vínculo entre a criança e sua mãe inicia-se durante a gestação. Os tão falados hormônios da gestação preparam o corpo e a mente da mãe para que se sensibilize e cuide de seu bebê desde a barriga (por isso os enjoos e a tendência a não comer algumas coisas). Através da corrente sanguínea, mãe e bebê compartilham informações biológicas, assim o bebê é capaz de perceber o estado psíquico da mãe. Após nascer o bebê tem a capacidade de reconhecer sua mãe através da voz e do cheiro.

Mas nada disso garante que haverá um vínculo entre eles. Então o que solidifica este vínculo? Os cuidados que a mãe oferece a este bebê. Tarefas simples, tais como troca de fraldas, alimentar (mais a frente explico o porquê do verbo alimentar e não o verbo amamentar), segurar no colo, conversar e acalentar, são decisivas para que o bebê possa se preocupar apenas em crescer. Este bebê precisa confiar na mãe, ter certeza de que ela está ali para fazer a ponte entre ele e o mundo. Vamos falar difícil: é através da maternagem (os cuidados de que falei) que se dá o vínculo.

E o pai? Onde ele entra nisso? O pai é a ponte da mãe com o mundo. Ela precisa saber que tem alguém que possa cuidar dela, dar-lhe suporte emocional para continuar sendo a ponte entre o bebê e o mundo. Eu usei as palavras mãe e pai, mas o bebê fará o vínculo com quem oferecer os cuidados mais constantes e mais próximos a sua necessidade. Aqui podem ser avós, tias, tios, pais adotivos (mesmo em adoções tardias, em outro momento eu explico como funciona). Mesmo aquelas mães que não podem amamentar (independente de qual seja o motivo) são capazes de formar vínculos fortíssimos com os filhos.

Pelo lado da mãe, o vínculo depende da maturidade emocional (não falo de idade cronológica) e da disponibilidade psíquica de deixar o mundo externo e dedicar-se a essa criança. Não é deixar o mundo fisicamente, é impedir que situações externas a relação pais-filho interfiram diretamente na mesma. E o vínculo com o pai, quando se forma? A presença do pai já é percebida quando a mãe tem apoio emocional suficiente e pode cuidar tranquilamente do bebê. O pai, percebido como pessoa separada da mãe, ocorre quando a criança é capaz de perceber isso através de pequenas apresentações que esta mãe faz do pai através da maternagem.  Cada bebê tem seu tempo para peceber a presença do pai. Mas não é só. O pai pode executar as tarefas de cuidados com o bebê também, isso ajuda o pai a perceber que pode ser ponte também e que fazer esse papel ajuda e muito a mãe (que mãe que nunca se sentiu esgotada, mesmo não tendo feito nada na casa?).

Existem fatores que podem interferir neste vínculo, impedindo sua formação ou provocando seu rompimento. Doença mental prévia da mãe (principalmente os chamados transtornos de humor e as psicoses) impede a formação ou prejudica o vínculo. Os fatores sócio-econômicos interferem pouco, apesar de serem fonte de preocupação para ambos os pais. Obviamente, tudo que eu disse não pode ser demasiadamente generalizado. O que eu descrevi acontece com a maioria das mães. Os casos que saem desse “padrão” devem ser analisados com muito cudado para evitar os famosos pré-julgamentos. E tudo isso se repete do início ao fim com cada novo bebê que nasce, se a mulher tiver 10 filhos ela passará por todo o processo da formação do vínculo 10 vezes.Espero ter explicado um pouquinho como funciona. Em outros textos prometo aprofundar isso.

 

Nathalia Maggio, psicóloga.
CRP – SP é 77605/06.

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